quarta-feira, 23 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
Os 50 anos do golpe.
Foto: Companhia de teatro Kiwi
No ano em que o Brasil lamenta os 50 anos do golpe civil militar, o blog Tecendo em Reverso trará ao público ao longo do ano uma série de entrevistas com militantes que viveram à época e lutam até os dias atuais por uma sociedade sem repressão.
A dica de hoje aos amigos professores é a reestreia da peça Morro por um país dirigida por Fernando Kinas. O projeto contou com uma extensa pesquisa que incluiu temas como: "estado de exceção", ditadura e a violação aos direitos humanos.
A peça ficará em cartaz no Cit Ecum em São Paulo entre 26 de março e 17 de abril. Confiram maiores informações no site da Companhia de teatro Kiwi:
http://www.kiwiciadeteatro.com.br/Members/fernando/morro-como-um-pais-cenas-sobre-a-violencia-de-estado
Abraços,
Juliana Gobbe
terça-feira, 11 de março de 2014
Romeu Adriano da Silva
O pesquisador Romeu Adriano da Silva é doutor em
Educação, na área de Filosofia e História da Educação pela Unicamp –
Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é professor da Universidade Federal
de Alfenas com atuação nas respectivas áreas: Teoria e Filosofia da História,
História da Educação e Marxismo e Educação.
Sua tese de doutorado, defendida em 2013 teve como
orientador o Prof. Dr. José Claudinei Lombardi e abordou o seguinte tema: “A
obra de Marx e Engels e as tendências do Marxismo nas pesquisas educacionais
brasileiras”.
Em entrevista concedida ao Tecendo em Reverso o pesquisador discorreu um pouco sobre este
trabalho.
Ao final da entrevista, o leitor terá acesso ao link da
tese para a leitura na íntegra.
O blog Tecendo em Reverso parabeniza o pesquisador
Romeu Adriano da Silva por esta relevante contribuição para a Educação
brasileira.
Arquivo pessoal do pesquisador.
Tecendo em Reverso -Como
ocorreu a percepção da necessidade de pesquisar: “A obra de Marx e Engels e as
tendências do Marxismo: crítica das perspectivas essencialistas nas pesquisas educacionais
brasileiras”?
ROMEU ADRIANO DA SILVA - Foi
um processo um tanto lento, mas que obrigou-me a tratar de forma mais cautelosa
uma questão que penso ser crucial: a relação entre uma concepção da Ciência da
História, sua capacidade de explicação do real, e a articulação deste
conhecimento com as possibilidades de interferência na realidade vivida, tendo
a prática social como o critério de verdade científica. Na tese, não tentei
“depurar” o marxismo, mas sim retomar a obra de Marx e Engels como um ponto
central de sustentação de uma leitura materialista e dialética do real, talvez mais
necessária do que nunca, para uma profunda análise do capitalismo contemporâneo
e de suas contradições. Como as contribuições no próprio seio do marxismo são
muitas e diversas, procurei atentar-me para determinados encaminhamentos que,
apesar de sua manifesta filiação ao marxismo, ainda permitem leituras
essencialistas da realidade, aí incluídas as práticas e concepções educativas.
A isso chamei de tendências do marxismo, e, neste caso, em especial, procuro
dialogar com uma tendência com forte penetração nas pesquisas e debates
educacionais no Brasil, que é a da “ontologia do ser social”, procurando
demonstrar tensões internas existentes no interior desta tendência.
Tecendo em Reverso - Na sua
tese lemos... “uma leitura dialética do real não permite operar por exclusão e
nem raciocinar de forma mecânica...” Qual a crítica que se faz hoje em relação
ao ensino de História nas escolas brasileiras, visto que muitas vezes
concepções notadamente idealistas refutam a realidade histórica?
ROMEU ADRIANO DA SILVA - Como
a tese não trata da questão do ensino de História e sim dos pressupostos da
Ciência da História, essa resposta é difícil de dar, pois já existe um
crescimento fértil de pesquisas sobre o ensino de História que tratam com muita
propriedade a questão. De qualquer forma, entendo ser importante indicar que as
concepções idealistas se fazem presentes na educação básica não somente em
relação ao ensino de História, mas na própria forma como se concebe o mundo, o
real, as relações sociais, a existência individual... Assim, as concepções
idealistas não refutam apenas a realidade histórica, mas a própria
materialidade do real, o que limita as possiblidades de conhecimento objetivo
da realidade. Agora, entendo que a constatação é importante, mas alavancar as
possibilidades de uma educação escolar que vá para além dessa necessária
constatação, rumo a uma educação que seja capaz de articular-se com as ações
efetivas de revolucionamento da vida social, é primordial.
Tecendo em Reverso - De que
maneira as tendências do marxismo apontadas no capítulo dois da sua tese podem
corroborar para uma interpretação equivocada e até mesmo desqualificadora da
obra do revolucionário alemão Friedrich Engels?
ROMEU ADRIANO DA SILVA - Essa
questão que você coloca é fundamental. Arrisco respondê-la de modo conciso,
procurando não empobrecer o debate: no meu entendimento, o ponto central deste
problema é a quebra da perspectiva de totalidade na explicação do real e o
risco de, evidentemente que sem a intenção de fazê-lo, assumir “um compromisso
contra o materialismo” - na feliz expressão do professor Caio Navarro de Toledo.
Tecendo em Reverso - Você aponta
na sua tese o fato de que nos últimos anos têm surgido na academia muitas
pesquisas em torno do trabalho e educação no capitalismo. Como pesquisas como a
sua podem fomentar o debate educacional no Brasil numa perspectiva crítica e
emancipadora de consciências?
ROMEU ADRIANO DA SILVA - Entendo
ser importante mantermos nossa atenção às determinações objetivas da nossa
existência. O trabalho é uma dessas determinações fundamentais. O que procurei
fazer foi articular essa categoria com a categoria modo de produção, de modo a evitar
tratar do trabalho de uma forma geral e abstrata. Assim, penso que a educação
também não pode ser tratada de forma geral e abstrata, e sim como instância
determinada e simultaneamente determinante da vida social, articulada a uma
totalidade de relações historicamente determinadas e que, neste terreno, também
se expressam os embates entre as classes. Não se trata de tomar a escola como a
promotora da igualdade social ou a educação como o remédio para a solução dos
problemas sociais, como o faz a perspectiva liberal, nem tampouco de dar
tratamento autônomo ao fenômeno educativo, como o fazem os idealistas. Mas a
questão é a da educação como um momento da práxis, com tudo o que isso implica,
inclusive o fato de não nos prendermos a uma postura imobilista em relação à
educação, o que me parece ser o caso da tendência a que se refere a tese.
Espaço do pesquisador:
Aqui quero registrar meu
agradecimento pela entrevista e parabenizar a equipe do “Tecendo em Reverso”
pelo relevante e precioso trabalho de dar publicidade aos trabalhos e abrir
espaço para que os pesquisadores possam falar um pouco sobre o que fundamenta e
norteia seu pensamento e sua ação.
Abraços,
Juliana Gobbe
segunda-feira, 3 de março de 2014
Pedagogia Histórico - Crítica
A revista Germinal: Marxismo e Educação em debate dedica seu 5º volume à Pedogogia Histórico-Crítica:
http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistagerminal/index
Abraços,
Juliana Gobbe
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Entrevista com Rui Ribeiro de Campos.
O
Professor Rui Ribeiro de Campos é graduado em Filosofia, Estudos Sociais e
Geografia pela PUC – Campinas. Fez mestrado em educação também pela PUC e
doutorado em Geografia na UNESP- Rio Claro. Foi professor titular da PUC –
Campinas de Epistemologia da Geografia, Pensamento Geográfico Brasileiro e
Geografia Política.
Durante
muitos anos trabalhou com o ensino de geografia através da música popular
brasileira.
Confiram
a entrevista que o pesquisador concedeu ao Tecendo em Reverso sobre a
importância da música na educação dos nossos jovens.
Tecendo em Reverso - Qual é
a importância da arte como recurso pedagógico?
RUI RIBEIRO DE CAMPOS - Educar já é uma arte. Mas a proposta é de utilização de outras formas de arte para realizar o trabalho educacional: poemas e letras de canções. Trabalhar com sons colabora para o aprimoramento da sensibilidade. Descobrir o som de certos versos também é fundamental; além disso, contribui para aprimorar o vocabulário e estimular os alunos a realizarem essa experiência humana. E fazer uma atividade interdisciplinar é uma forma de o aluno sentir que o processo de aprendizagem não é isolado, que existe ligação entre disciplinas trabalhadas, que um mesmo conceito pode estar na narrativa de um conto, no enredo de um filme, num quadro, numa escultura, na letra de uma canção. No entanto, no Brasil, não se trabalha seriamente a arte no processo educacional, pois desde a infância muitos pais já possuem uma perspectiva profissional para seus filhos e desejam da escola somente conteúdos “técnicos” que sejam “úteis” no futuro.
Tecendo em Reverso - Especificando-se o ensino de Geografia. Como
utilizar letras de MPB na ilustração dos temas abordados?
RUI RIBEIRO DE CAMPOS - A proposta é que a disciplina Geografia utilize determinadas letras de canções para analisar aspectos estudados no decorrer do conteúdo programado. O que fizemos nos artigos foi sugerir determinados temas e algumas letras que podem ser utilizadas em sala de aula. Deixou-se em aberto o momento: início, meio ou final do assunto tratado; e também se procurou mais caracterizar a situação do que analisar especificamente a letra, deixando isso para o docente. Existem outros temas (e letras de músicas relativas a eles) nos quais se pode fazer a mesma coisa. A tentativa foi de sugerir aos docentes de Geografia que façam isso, que dialoguem com a realidade também dessa maneira.
Tecendo em Reverso - Sabe-se que hoje em dia o “conhecimento de mundo”
do aluno, leia-se, bagagem cultural é muitas vezes rechaçado pela escola, ou
seja, há muito preconceito em relação às manifestações musicais,como: funk e
rap. Como apresentar aos alunos outros movimentos musicais sem ignorar o que
eles trazem do cotidiano?
RUI RIBEIRO DE CAMPOS - O
baixo nível da população brasileira relativo a um conhecimento mais
sistematizado tem atrapalhado bastante os professores em sala de aula. A
estratégia depende de qual setor os alunos integram. Para os mais
marginalizados creio que a estratégia mais adequada é a de estimulá-los a
fazerem um rap cuja letra retrate problemas de seu cotidiano. A partir daí se
introduziriam letras um pouco mais “sofisticadas”, mais relacionadas a
problemas brasileiros semelhantes. Por essas razões, o professor não deve
colocar músicas (com letras, é claro) em sala de aula sem planejar
adequadamente, para que não se pense que é somente uma pausa do que se está
“dando” em sala de aula. A canção deve integrar o conteúdo como mais uma
expressão – cultural – da situação estudada.
Tecendo em Reverso - Os anos de chumbo da ditadura civil-militar no
Brasil deram ao nosso país uma lavra significante de músicas com letras que
mostravam indignação em relação ao regime. O Sr. destacaria algum compositor
desta época que contribuiu para isso?
RUI RIBEIRO DE CAMPOS - Para
mim, o destaque entre aqueles que conseguiram driblar a censura foi Chico
Buarque, principalmente após o AI-5. Antes disso, poucas letras desse
compositor foram fundamentais para que se colocasse, sob a forma de canção, o
que se sentia em relação ao poder autoritário instalado no país. Uma das mais
significativas foi “Sabiá”, um
prenúncio, uma canção que retratava o “exílio interno”, possibilitando que ,
enquanto Geografia debata o regime militar, a área de literatura trabalhe com
Gonçalves Dias. Depois de 1969, foi ele um dos compositores mais coerentes na
luta contra a opressão. Pode-se começar citando “Apesar de Você”, escrita especialmente para o ditador Médici,
continuando com “Cálice”, “Milagre Brasileiro” e “Vence na vida quem diz sim” (letras
conhecidas no final do regime), “Angélica”
(muito bonita e triste, ao mesmo tempo, sobre Zuzu Angel), “Samba de Orly”, “Deus lhe pague”, “Linha de
Montagem” e outras. Contudo, existem outros letristas que também tentaram
driblar a censura para que se pudesse ter uma pequena sensação de estar livre
(somente a sensação), como Sérgio Ricardo, Gonzaguinha, Aldir Blanc e Paulo
César Pinheiro.
Tecendo em Reverso - No seu trabalho encontramos músicas, como: Meninos
do Brasil de Gonzaguinha e Povo da Raça Brasil de Milton Nascimento e Fernando
Brant. No seu ponto de vista qual é a música que melhor traduz o povo
brasileiro na conjuntura política atual?
RUI RIBEIRO DE CAMPOS - Dessas duas? Acredito que a do Gonzaguinha,
principalmente por conter mais relatos de mazelas. A situação do país melhorou
em relação ao final da década de 1980, mas muito do que ainda existe está na
letra de Meninos do Brasil. Embora ache que a que melhor reflete o Brasil atual
seja “Cara do Brasil”, de Celso
Viáfora e Vicente Barreto, feita uma década depois.
Espaço do pesquisador:
A proposta de trabalhar MPB em aulas de Geografia resulta de minha
experiência anterior como professor do ensino médio. Permaneço acreditando que
ela pode ser utilizada por diversas disciplinas, principalmente em um trabalho
conjunto. No entanto, é somente um recurso pedagógico, que não substitui o
conteúdo, e a música não deve ser colocada somente para tornar a aula mais
“agradável”. Ao mesmo tempo, consegue-se mostrar a riquíssima variedade musical
do país e impedir que ela seja “engolida” pelo domínio de formas musicais
estrangeiras.
Abraços,
Juliana Gobbe
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
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